Dores constantes, insônia e depressão: saiba mais sobre a Dor Crônica

03/02/2010-Jornal A Cidade - Votuporanga-Variedades

Da Redação
O stress, a obesidade e o sobrepeso, além da falta de exercícios físicos são causas da prevalência de dor crônica. "O corpo humano é uma máquina que tem que estar em movimento sempre". A atividade física tem que ser constante, porém não há consenso sobre os motivos que levam as mulheres a terem mais dor crônica do que os homens, (pode ser um fator hormonal, mas nem todos concordam com isso). O coordenador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Saúde Pública da USP, Manoel Jacobsen, enfatizou que a dor crônica pode causar dificuldade para dormir, falta de energia, sonolência, falta de concentração, depressão, ansiedade e falta de apetite.

Pesquisa
Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) revelou que a dor crônica, aquela que persiste por mais de três meses, atinge 28,7% da população acima de 18 anos, residente na cidade de São Paulo. A pesquisa Epidor, que foi apresentada durante o 4º Congresso de Dor da USP, constatou ainda que a maior parte dos 2.401 entrevistados acredita que a dor crônica não tem cura. Segundo a pesquisa, a dor crônica atinge 34% das mulheres e 20% dos homens entrevistados. Pessoas com sobrepeso e obesidade apresentaram maior prevalência de dor crônica. Cerca de 40% dos obesos e 30% dos que tem sobrepeso indicaram ter o problema. Cerca de 35% dos entrevistados que tem dor crônica estão entre os 50 e 59 anos, 30% entre os 60 e 69 anos e 20% na faixa etária de 18 a 29 anos. As dores mais comuns são relacionadas a problemas na coluna (22,1%), dor de cabeça e enxaqueca (19,6%), ansiedade e outros transtornos psiquiátricos (14%) e depressão (9%).

Como se manifesta a Dor Crônica?
Nos pacientes com dor crônica, o sistema nervoso ajusta-se à condição dolorosa, com redução da hiperatividade. Entretanto, várias alterações psicológicas e de outras origens freqüentemente se desenvolvem, incluindo aumento da irritabilidade, depressão, preocupação com o corpo e afastamento dos interesses externos. Além disso, os pacientes que sofrem de dor crônica podem querer afastar-se das pessoas mais próximas e apresentar incapacidade ocupacional. Outros sintomas comumente relatados por pacientes com dor crônica são insônia, diminuição do desejo sexual e alteração do apetite. Um fato importante é que os pacientes com dor crônica podem nã responder às medicações analgésicas. Ansiedade e depressão são observadas freqüentemente em pacientes com artrite reumatóide, lombalgia crônica e dor crônica no pescoço; fora isso, o grau de incapacidade associado à doença é fortemente influenciado pela atitude do paciente. Para melhorar a qualidade de vida do paciente, pode ser necessária uma abordagem multidisciplinar que inclui medicações, aconselhamento, fisioterapia, bloqueio de nervos e mesmo cirurgia.

Tratamento da Dor Crônica
O médico reforçou ainda que é preciso evitar a automedicação. Ainda segundo ele, é preciso procurar um médico se a dor persistir por mais de uma semana. "Dores que fogem do seu padrão habitual ou que fazem a consciência ficar alterada são um sinal de que é preciso procurar o serviço de saúde. Dor acompanhada de febre também exige atenção", disse. Segundo ele, a cura para a dor crônica depende da identificação das causas que levam ou provocam a dor. Para o especialista, muitas vezes, mesmo que não haja cura para a dor crônica é possível fazer tratamentos e controle. A dor crônica é definida como a dor que persiste ou recorre por mais de 3 meses ou a dor associada a lesão tecidual que se espera continuar ou evoluir; alguns autores definem a dor crônica como aquela com duração de 6 meses ou mais. Medidas farmacológicas, de reabilitação, psicoterápicas, anestésicas, oncoterápicas, cirúrgicas e/ou neurocirúrgicas funcionais possibilitam minimizar a dor e resgatar ou melhorar os parâmetros funcionais na maioria dos indivíduos. A dor crônica freqüentemente não pode ser eliminada completamente, mas o desempenho do paciente pode ser melhorado substancialmente, mesmo quando a dor persiste. O tratamento deve também contemplar os aspectos cognitivos e comportamentais, não apenas dos pacientes, mas também de seus cuidadores, uma vez que estes freqüentemente apresentam convicções negativas e distorcidas em relação ao significado dos diagnósticos, exames complementares, farmacoterapia, reabilitação, atividades físicas, repercussões psicossociais, capacidades funcionais, atitudes e perspectivas futuras.