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Da Redação
O stress, a obesidade e o sobrepeso, além da falta de exercícios físicos são causas da
prevalência de dor crônica. "O corpo humano é uma máquina que tem que estar em
movimento sempre".
A atividade física tem que ser constante, porém não há consenso sobre os motivos que
levam as mulheres a terem mais dor crônica do que os homens, (pode ser um fator
hormonal, mas nem todos concordam com isso).
O coordenador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Saúde
Pública da USP, Manoel Jacobsen, enfatizou que a dor crônica pode causar dificuldade
para dormir, falta de energia, sonolência, falta de concentração, depressão, ansiedade e
falta de apetite.
Pesquisa
Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
(USP) revelou que a dor crônica, aquela que persiste por mais de três meses, atinge
28,7% da população acima de 18 anos, residente na cidade de São Paulo.
A pesquisa Epidor, que foi apresentada durante o 4º Congresso de Dor da USP, constatou
ainda que a maior parte dos 2.401 entrevistados acredita que a dor crônica não tem cura.
Segundo a pesquisa, a dor crônica atinge 34% das mulheres e 20% dos homens
entrevistados.
Pessoas com sobrepeso e obesidade apresentaram maior prevalência de dor crônica. Cerca
de 40% dos obesos e 30% dos que tem sobrepeso indicaram ter o problema.
Cerca de 35% dos entrevistados que tem dor crônica estão entre os 50 e 59 anos, 30%
entre os 60 e 69 anos e 20% na faixa etária de 18 a 29 anos.
As dores mais comuns são relacionadas a problemas na coluna (22,1%), dor de cabeça e
enxaqueca (19,6%), ansiedade e outros transtornos psiquiátricos (14%) e depressão (9%).
Como se manifesta a Dor Crônica?
Nos pacientes com dor crônica, o sistema nervoso ajusta-se à condição dolorosa, com
redução da hiperatividade.
Entretanto, várias alterações psicológicas e de outras origens freqüentemente se
desenvolvem, incluindo aumento da irritabilidade, depressão, preocupação com o corpo e
afastamento dos interesses externos.
Além disso, os pacientes que sofrem de dor crônica podem querer afastar-se das pessoas
mais próximas e apresentar incapacidade ocupacional.
Outros sintomas comumente relatados por pacientes com dor crônica são insônia,
diminuição do desejo sexual e alteração do apetite. Um fato importante é que os pacientes
com dor crônica podem nã responder às medicações analgésicas.
Ansiedade e depressão são observadas freqüentemente em pacientes com artrite
reumatóide, lombalgia crônica e dor crônica no pescoço; fora isso, o grau de incapacidade
associado à doença é fortemente influenciado pela atitude do paciente.
Para melhorar a qualidade de vida do paciente, pode ser necessária uma abordagem
multidisciplinar que inclui medicações, aconselhamento, fisioterapia, bloqueio de nervos
e mesmo cirurgia.
Tratamento da Dor Crônica
O médico reforçou ainda que é preciso evitar a automedicação. Ainda segundo ele, é
preciso procurar um médico se a dor persistir por mais de uma semana.
"Dores que fogem do seu padrão habitual ou que fazem a consciência ficar alterada são
um sinal de que é preciso procurar o serviço de saúde. Dor acompanhada de febre
também exige atenção", disse.
Segundo ele, a cura para a dor crônica depende da identificação das causas que levam ou
provocam a dor. Para o especialista, muitas vezes, mesmo que não haja cura para a dor
crônica é possível fazer tratamentos e controle.
A dor crônica é definida como a dor que persiste ou recorre por mais de 3 meses ou a dor
associada a lesão tecidual que se espera continuar ou evoluir; alguns autores definem a
dor crônica como aquela com duração de 6 meses ou mais.
Medidas farmacológicas, de reabilitação, psicoterápicas, anestésicas, oncoterápicas,
cirúrgicas e/ou neurocirúrgicas funcionais possibilitam minimizar a dor e resgatar ou
melhorar os parâmetros funcionais na maioria dos indivíduos.
A dor crônica freqüentemente não pode ser eliminada completamente, mas o desempenho
do paciente pode ser melhorado substancialmente, mesmo quando a dor persiste.
O tratamento deve também contemplar os aspectos cognitivos e comportamentais, não
apenas dos pacientes, mas também de seus cuidadores, uma vez que estes freqüentemente
apresentam convicções negativas e distorcidas em relação ao significado dos
diagnósticos, exames complementares, farmacoterapia, reabilitação, atividades físicas,
repercussões psicossociais, capacidades funcionais, atitudes e perspectivas futuras.
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