Maior parte do produto é exportada para os EUA, Canadá, Japão e alguns países da União Europeia
A produção e consumo de nozes no País vêm crescendo a cada ano, e a macadâmia, aos poucos, ganha seu espaço e conquista o paladar dos brasileiros. Para 2010, os agricultores esperam a maior safra de todos os tempos, e a estimativa é de que sejam produzidas 779 toneladas da noz no Brasil — cerca de 30% a mais do que em 2009, quando o volume chegou a 509 toneladas.
De acordo com o engenheiro-agrônomo e diretor-técnico da Associação Brasileira de Macadâmia (ABM), Pedro Toledo Piza, o aumento da produção ocorreu devido aos investimentos dos produtores em controle de pragas e adubações, e às condições climáticas favoráveis no período de crescimento dos frutos, de setembro a janeiro.
Segundo ele, apesar da expansão na produção, os preços subiram em média 40% para o produtor e 20% para os processadores ou exportadores da noz. O motivo da alta seria o reflexo da queda da produção na Austrália, que é responsável por 40% da oferta mundial, em decorrência das enchentes e ventos fortes que atingiram o país. “A diminuição da oferta australiana em 10% e o aumento de consumo internacional provocaram a elevação dos valores”, afirmou.
A capacidade produtiva de uma planta pode chegar a 30 quilos. O preço médio da safra para este ano, comprando direto do produtor, é de US$ 1,20 o quilo de noz em casca. O rendimento é de 25%, o que equivale a US$ 5 por quilo de amêndoa.
Segundo Piza, de toda a produção estimada para este ano, apenas 200 toneladas permanecerão no mercado interno. As outras 579 toneladas serão exportadas para os Estados Unidos, Canadá, Japão e alguns países da União Europeia.
Marcelo Bozza, administrador de uma plantação de macadâmia, localizada na Estrada de Viracopos-Vinhedo, na área rural de Campinas, afirma que a grande dificuldade para o produtor ainda é a falta de divulgação do produto no País. “A macadâmia tem um valor nutricional imenso, mas é pouco consumida pelos brasileiros, principalmente in natura. Por isso, montamos uma fábrica para processar o produto e é daí que vem o nosso maior retorno”, explicou.
A plantação foi iniciada pela família de Marcelo Bozza há 15 anos. Atualmente, são 2 mil pés, que produzem 20 toneladas de macadâmia anualmente.
Usada nos setores alimentício, farmacêutico, na indústria de cosmético e considerada uma das nozes mais finas do mundo, a macadâmia pode ser encontrada em duas espécies principais, que no Brasil se subdividem em, pelo menos, oito.
A maior produção no território nacional está no Estado de São Paulo, que é responsável por metade da produção. Desde 1948, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) desenvolve pesquisas sobre macadâmia com o objetivo de criar novas opções agrícolas. Até o momento o IAC produziu seis variedades da nogueira, que estão entre as mais cultivadas e recomendadas do País.
Investimento em pesquisa
Com a intenção de se tornar produtor da macadâmia em Buri, município localizado no Sudoeste do Estado, o engenheiro-agrônomo Fábio Albuquerque Entelmann começou, em 2007, a pesquisar sobre a cultura da noz.
O maior obstáculo, segundo ele, foi a deficiência de informações sobre o desempenho da produção, do ciclo produtivo e dos tratos culturais adequados como podas, adubação e controle de pragas e doenças. “As informações que temos sobre isso são de 30 anos atrás”, disse.
Diante da falta de informações e dificuldades, o engenheiro começou a desenvolver, em seu projeto de doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicapa, uma pesquisa que busca caracterizar as variedades de nogueira macadâmia mais cultivadas no Estado de São Paulo, quanto ao ciclo periódico da vida da planta, produção e qualidade de noz e desenvolvimento de uma metodologia que permita a produção de mudas de uma forma mais rápida e barata.
Segundo Entelmann, um dos fatores que influenciou sua pesquisa foi o preço da muda, que variava entre R$ 6,0 e R$ 10,0, muito acima do valor de uma muda de laranja, entre R$ 3,5 e R$ 5,0.
Comparação
Para o engenheiro, o alto preço é justificado pelos produtores devido ao tempo necessário para se produzir essa muda, com variação entre 18 e 24 meses, o dobro do que uma muda cítrica. Mas o retorno a longo prazo não desanima os produtores. “É um negócio lucrativo, desde que o produtor siga corretamente as boas práticas de adubação, faça o controle de pragas e de doenças”, disse.
Até o momento, os pesquisadores já conseguiram desenvolver uma nova metodologia para a propagação dessa fruteira, que consiste em transformar o ramo em muda. O procedimento é chamado de propagação vegetativa.
Os pesquisadores também já são capazes de acompanhar o ciclo completo de produção da noz. “A macadâmia começa a produzir em março e vai até junho. Estamos em plena época de safra. Ela tem um ciclo longo porque as nozes vão caindo aos poucos”, afirmou Entelmann.
Oito variedades estão sendo pesquisadas
No Brasil existem pelo menos oito variedades de macadâmia, mas as pesquisas ainda não conseguiram apontar quais as melhores para a produção. “Nós ainda não podemos dizer ue tipo é mais resistente ou qual vai produzir mais, mas já podemos dizer que, de maneira geral, a macadâmia se adequa ao clima encontrado na maior parte da região Sudeste. Ela só não tolera regiões com fortes geadas ou secas frequentes”, afirma o engenheiro.
Os ensaios de Fábio Entelmann estão instalados na cidade de Dois Córregos, no Interior paulista. Os estudos começaram em 2008 e deverão ocorrer até o próximo 2011. Esse projeto de pesquisa é desenvolvido com professores de fruticultura da Esalq, com alunos do Grupo de Práticas em Fruticultura da Escola (GPF), um professor da Universidade Federal de Lavras (UFL), pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio e a equipe técnica da Queen Nut Macadâmia.