Beleza de dentro para fora

Jornal do Brasil - Rio de Janeiro/RJ - NOTÍCIAS - 14/03/2010 - 05:10:01

Marlus Chorilli
FACULDADE DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS,
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
CAMPINAS (SÃO PAULO)

As indústrias de cosméticos, que por décadas restringiram suas atividades ao desenvolvimento e comercialização de formulações para aplicação direta na pele, nas unhas e nos cabelos, agora têm feito parcerias com empresas alimentícias para lançar outros tipos de produtos. São cápsulas, bebidas, iogurtes e até doces que prometem, além de fazer bem à saúde, tornar as pessoas mais bonitas. Alguns estudos estimam que o mercado mundial para esses chamados nutricosméticos deve crescer 10% nos próximos cinco anos, atraindo cada vez mais o interesse da ciência.

É importante frisar que as cápsulas e outros produtos nutricosméticos não substituem os alimentos, e seu uso deve ser feito em conjunto com uma dieta saudável, variada e balanceada.

No entanto, os nutricosméticos podem ser indicados para melhorar a nutrição de pessoas com hábitos alimentares inadequados e irregulares, por tempo determinado e segundo as necessidades individuais.

Ou seja: embora sejam produtos de última geração e de alta confiabilidade, os nutricosméticos não representam, por si só, uma dieta saudável.

Pele firme e saudável Atualmente, podem ser encontrados à venda muitos nutricosméticos que visam cuidar da pele. Alguns apresentam em sua composição o elemento selênio, que se associa com macromoléculas para formar compostos antioxidantes.

Outros têm zinco ou pigmentos naturais como licopeno e betacaroteno, além de vitaminas C e E e uma enzima denominada superóxidodismutase.

Esses componentes têm efeito protetor para a pele. Alguns nutricosméticos são indicados apenas a partir de determinadas faixas etárias, como um produto constituído de pigmentos como bioretinol (precursor da vitamina A) e luteína, além de ômega-3, que visa reduzir rugas e melhorar a hidratação cutânea, indicado a partir dos 30 anos.

Uma tendência atual é o uso de nutricosméticos que combinam cremes para aplicação tópica com cápsulas para ingestão oral. Um produto desse tipo contém uma substância obtida da ostra Pinctada maxima, além de vitamina E, selênio, compostos químicos do chá verde e um complexo de elementos como cobre, zinco e manganês, essenciais aos seres vivos. Acredita-se que esses componentes atuem contra o envelhecimento da pele.

Os lançamentos mais recentes apresentam em sua composição ômega 3 e 6, extraídos de óleos de peixes e de sementes de cassis (Ribes nigrum), e vitaminas C e E. Esses componentes têm sido usados para aumentar a hidratação cutânea e obter renovação celular, além de exibir atividade antioxidante.

Cabelos resistentes Entre os nutricosméticos que atuam fortalecendo e melhorando a aparência dos cabelos, destacam-se os que têm em sua composição extratos de plantas como quinquina (Mouriria guianensis), quinoa (Chenopodium quinoa) e rúcula (Eruca sativa), além de óleo de semente de abóbora (gênero Cucurbita).

Esses componentes, de acordo com os fabricantes, revitalizam os fios de cabelo, tornandoos mais resistentes, o que reduz a queda, e ajudam a controlar a seborréia.

Outros produtos, além de prevenir a queda, ativam o crescimento capilar, ao aumentar a síntese de queratina, e intensificam o brilho dos fios.

É o caso dos que contêm em sua composição extrato de coco (rico em ácido láurico), combinado com o elemento zinco e com vitaminas B5, B6, B8 e PP, além de extrato de agrião (Nasturtium officinale), farinha de tremoço-branco (Lupinus albus) e lecitina de soja (Glycine max). Também estão presentes os óleos de cártamo (Carthamus tinctorius), de dendê (Elaeis guineensis) e de girassol (Helianthus annuus).

Alguns produtos recentes, compostos de aminoácidos e extratos de chá verde e de sementes de uva, prometem aumentar a densidade dos cabelos, favorecendo o crescimento de fios mais espessos e vigorosos.

Leia mais na revista Ciência Hoje, edição de março.
http://www.clippingexpress.com.br/ce2//?a=noticia&nv=HkfligkzC2CwmkD5WzsewA