Aumento da safra de arroz e consumo per capita relativamente baixo no Brasil forçam a ampliação de oferta de produtos à base do cereal

Massas estão entre as novidades no mercado
Crédito: fabiano do amaral
Massas estão entre as novidades no mercado
Crédito: fabiano do amaral
GRASIELA DUARTE e MARCELA CAETANO
O consumo médio de arroz no Brasil, de 44 quilos por habitante ao ano, é baixo se comparado a países como o Vietnã, de 221 quilos, e a China, de 90 quilos. Somado à produção crescente do grão - na safra passada, o rendimento na lavoura gaúcha chegou a 8 mil quilos por hectare -, reforça a necessidade de se buscar outras formas de agregar valor ao cereal e ampliar o público. E as indústrias investem. Segundo o pesquisador do Irga Gilberto Amato, há três anos havia três ou quatro engenhos de farinha de arroz e, hoje, a lista de fornecedores chega a 13 no país, a maioria no RS e em SC. "É importante agregar valor ao arroz."
O aumento da produção do cereal e o baixo consumo nos países do Mercosul - na Argentina, é de 7 quilos por habitante - força a busca por outros mercados. O Brasil é o primeiro país não-asiático em produção e consumo do cereal. A demanda per capita é baixa, mas os 184 milhões de brasileiros juntos demandam 12,5 milhões de toneladas por ano. Para suprir a necessidade, são importadas 1,5 milhão de toneladas.
A alternativa é ampliar o leque de produtos. O farelo já é muito usado na fabricação de ração animal. A novidade é a extração do óleo do farelo. Conforme Amato, é considerado mais nobre porque resiste de 50 a cem vezes mais a ciclos de fritura sem quebrar as moléculas do que outros óleos. "Além disso, concentra gama orizanol, um antioxidante que atua para evitar o envelhecimento das células." E a farinha é cada vez mais usada na fabricação de novos produtos, de biscoitos a macarrão.
Para o produtor, outra forma de ganho é o aproveitamento de resíduos como a casca. Uma tonelada pode gerar energia equivalente a dois barris de petróleo. "Isso antes era um passivo ambiental e hoje as empresas geram a própria energia", diz Amato. A casca tem corante e também é utilizada na fabricação de protetor solar. As cinzas são usadas na fabricação de sílica e de silício eletrônico, para pneus e componentes eletrônicos respectivamente.