Planalto estreia novo modelo de concessão
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo pretende licitar,
ainda neste mês, a ferrovia Oeste-Leste (1.490 km entre Figueirópolis, no Tocantins, e
Ilhéus, na Bahia). A obra, orçada em R$ 6 bilhões, será contratada pela estatal Valec na iniciativa privada. Depois que o
projeto estiver pronto, o governo vai conceder a administração da linha. O concessionário
irá vender, para interessados, a
disponibilidade de carga.
O modelo, revelado pela Folha em fevereiro e chamado pelo governo de "ferrovia aberta",
é diferente do que foi adotado
na privatização da RFFSA (Rede Ferroviária Federal). No
modelo anterior, o concessionário é dono da linha, dos vagões e das locomotivas e cobra
o frete dos usuários. Ele é, ao
mesmo tempo, operador e dono das composições.
Isso significa que o usuário
não tem opção. Se quiser transportar sua carga naquela ferrovia, só poderá contratar o concessionário. Isso cria conflitos
de interesse no setor, principalmente no segmento de mineração. Na "ferrovia aberta", o monopólio na linha é quebrado e
várias empresas poderão colocar locomotivas e vagões para
ofertar o serviço de transporte
de carga.
No caso da Oeste-Leste, o
grande volume de carga transportada deverá ser de grãos e
biocombustíveis produzidos no
oeste da Bahia e de minério de
Caetité, no interior do Estado.
No modelo atual, existe a
possibilidade de pedir à concessionária o que se chama de
"direito de passagem". Isso, no
entanto, só ocorreu entre as
empresas que já operam a malha -uma concessionária passando por trilhos que pertencem a outra.