Steel do Brasil fará capitalização de até US$ 800 milhões

Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 17/03/2010 - 01:07:19

Ivo Ribeiro, de São Paulo
Ana Paula Paiva/Valor Saliba, presidente da Steel, diz que a companhia "pensa grande" ao planejar investimentos da ordem de US$ 6 bilhões

Em dois meses, a Steel do Brasil Participações, empresa controlada pelo fundo Metropolis Capital Markets, pretende concluir uma capitalização de US$ 600 milhões a US$ 800 milhões para dar partida ao seu plano de instalação de dois grandes projetos de produção de minério de ferro no Brasil. O plano da companhia, de capital alemão, é ambicioso, pois vai exigir aportes da ordem de US$ 6 bilhões nos próximos cinco anos.

Os valores e números são gigantes. O objetivo da companhia é ter duas minas de grande porte que, juntas, poderão fazer algo como 50 milhões a 60 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. "Temos de pensar grande", afirmou ao Valor o presidente da Steel do Brasil, Juarez Saliba de Avelar. Segundo ele, os consumidores de minério de ferro, principalmente chineses, olham com atenção os grandes projetos.

Até agora com atuação pré-operacional, no fim da semana passada a empresa anunciou a aquisição de dois ativos no Brasil, com investimentos de US$ 435 milhões. Adquiriu 70% do capital da Mhag, que tem operações paralisadas no Rio Grande do Norte, e 80% do projeto Jibóia, da Mineração Minas Bahia (Miba), na região de Salinas (norte de Minas Gerais). Foi comprada também uma fatia de 50% de outros recursos minerais de ferro da Miba na mesma região.

O valor das aquisições poderá alcançar US$ 600 milhões, informou Saliba. Com experiência de 25 anos na mineração de ferro no país, o executivo assumiu o comando da Steel do Brasil em 15 de janeiro e conta com carta branca dos acionistas para implantar os dois projetos. "Minha meta é ser a número 1 em prazo de implantação", afirmou.

Até o fim desta semana, a Steel quer finalizar negociações com a trading de commodities Noble, de Hong Kong, dona de 30% da Mhag, que vai decidir se permanece na empresa ou se sai. Caso opte pela saída, receberá US$ 105 milhões pela sua parte. "Eles desejam adquirir toda a nova produção da Mhag - 16 milhões de toneladas no fim de 2012 -, mas para o modelo comercial da nossa empresa, estamos dispostos a manter parcela correspondente aos seus 30%", afirmou Saliba.

No caso da MIBA, a Steel negocia os 20% restantes no projeto Jibóia. Caso chegue a um acordo, significará desembolso de mais US$ 60 milhões. A decisão dos donos da empresa, que gostariam de continuar acionistas da empresa, deve sair até o começo de maio.

A diferença, US$ 150 milhões a US$ 200 milhões, será usada para capital de giro da empresa.

Saliba evita fornecer informações sobre os investidores que estão selecionados para participar da capitalização da mineradora. Apenas que inclui desde investidores financeiros a estratégicos. "A preferência dos acionistas da Steel é pelos financeiros", diz.

O novo projeto desenhado para a Mhag, que começou a ser assediada pela Steel há cerca de um ano, envolverá investimentos de US$ 1,4 bilhão para atingir a nova capacidade de produção, que será concentrada na mina de Bonito, em Jucurutu, no interior do Rio Grande do Norte. Depois de produzir precariamente em 2007 e 2008 (cerca 300 mil toneladas), a empresa paralisou as operações e iniciou remodelação do seu projeto, com previsão de alcançar 12 milhões de toneladas em 2013.

"Vamos usar US$ 50 milhões para pôr em operação uma instalação de 2 milhões de toneladas até meados de 2011", informa Saliba. Segundo o executivo, todos os equipamentos já estão equipamentos prontos, a maioria em Bonito, que será a mina âncora da Mhag. A previsão já é produzir 1,2 milhão de toneladas no próximo ano, com material voltado para exportação. As reservas atuais de minério somam 3,5 bilhões de toneladas de volume conhecido.

A expansão desse ativo incluirá novas instalações de produção, a construção de um mineroduto de 120 km e um terminal portuário no litoral do Estado, apto a receber navios. "A vantagem logística desse projeto é seu grande atrativo", comenta, mencionando que está no extremo norte do país e que o mineroduto tem extensão pequena. Por exemplo: é um quinto da extensão do que a Anglo American está fazendo para seu projeto Minas-Rio.

No projeto Jibóia - megajazida na região norte de Minas -, está a esperança de montar uma grande mina de ferro. Há desafios importantes a vencer, como a logística para escoar a produção. Conta com a construção da Ferrovia Leste-Oeste, que prevê ligar o porto de Ilhéus (BA) ao Estado de Tocantins, passando por Caetité (Sul da Bahia). "Podemos fazer um ramal de 130 km até a Leste-Oeste ou mineroduto", diz Saliba. Segundo ele, o governo já acenou que pretende iniciar as obras da ferrovia no segundo semestre deste ano. Mas ainda não fez a licitação da obra.

Os estudos dessa mina vão durar um ano. Só, então, vai formatar o projeto e o montante de investimento necessário. Preliminarmente, estão previstos US$ 5 bilhões para instalar uma megamina. Nessa fase, a Steel fará nova capitalização, a qual poderá incluir uma oferta pública de ações, informa o executivo, engenheiro de minas formado em Belo Horizonte. Saliba entrou na Vale em 1984 e lá ficou até 2002 e passou pelas minas de Carajás e Itabira. Depois foi para a Rio Tinto. Desde 2003, cuidava de mineração e logística na CSN.

Para tanto minério, a expectativa da Steel se baseia em vários fatores. Saliba os lista: produção de aço na China continuará em alta nos próximos anos, a demanda por minério importado, com substituição de minas locais (caras), vai crescer, a exportação de minério da Índia será voltada para consumo interno, o Oriente Médio surge como nova fronteira de expansão e os EUA voltarão a ser grande produtor e consumidor de aço.

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