Aposta em projeto verde

O Globo - Rio de Janeiro/RJ - RAZÃO SOCIAL - 16/03/2010 - 02:36:42

Empresários usam materiais alternativos para mobiliar lojas no Rio

Martha Neiva Moreira 
martha.moreira@oglobo.com.br

Decoração rima com estilo, criatividade, beleza e, por que não, com sustentabilidade. O conceito cunhado por ambientalistas ainda na década de 1970, chega aos projetos arquitetônicos e decorativos de lojas cariocas provando que é possível unir beleza e praticidade à preocupação ambiental. Empresários que adotaram a estratégia não se arrependem, apesar de admitirem que, às vezes, pode pesar no bolso.

— A economia vem com o tempo — diz Camila Bezerra, dona da Sementeira, marca de roupas que vende o conceito de ’um mundo melhor’. Ela conta que investiu um valor alto no projeto sustentável da loja do Shopping da Gávea, que ficou em torno de R$ 125 mil, mas que a longo prazo economizou em contas, como as de luz, por exemplo.
Todo o projeto de iluminação da loja usa lâmpadas LED, que consomem menos e não esquentam tanto o ambiente, o que reduz o consumo de ar condicionado também. No final do mês, o resultado é um gasto 50% menor em energia.

A marcenaria da Sementeira, responsável por 80% do total dos gastos, conta com móveis, de formas circulares e geminados, feitos para facilitar a circulação dos clientes e reduzir o consumo da madeira, que é certificada e tratada sem química, com cera de carnaúba.

Os provadores são feitos de madeira reciclada e há uma enorme mandala decorativa feita de fibras de bambu e pupunha.

— Este material é interessantíssimo, pois são restos do manejo do palmito. São cascas super resistentes que já estão sendo usadas na fabricação de peças decorativas — disse Camila.

A rede de loja Limits, de roupa masculina, também tem investido em reaproveitamento de materiais. A recém inaugurada unidade de Ipanema usa tijolos e madeiras de demolição no projeto arquitetônico.

Para Bruno Moraes, supervisor da rede, a preocupação com o meio ambiente atrai o cliente jovem.

— É da cultura da juventude de hoje. Nós pagamos um pouco mais caro, mas achamos justo pelo benefício que traz e, além do mais, temos retorno do cliente — disse.

A Addict, de moda jovem, é outra marca que tem concentrado esforços em criar uma decoração “verde”. Os sócios, João Mello Leitão e Marcelo Macedo, garimpam no lixo da cidade e em ferros-velho peças para transformar em utilitários.

Há araras de caixote de feira, mesa expositora de carretel, balcão de freezer de botequim descartado em lixões e caixa de barraca de feira, gaveta de armário achada no lixo e transformada em prateleira, entre outras criações.

A tendência de reaproveitar materiais e investir em sustentabilidade na área de arquitetura e decoração é uma iniciativa que, ao que tudo indica, veio para ficar. No entanto, como aponta o arquiteto Alexandre Lourenço da Silva, conselheiro do Crea (Conselho regional de Engenharia e Arquitetura) tão importante quanto recorrer a materiais alternativos é estar atento à procedência deles.

— É fundamental ter informações sobre a origem dos materiais para saber se em sua cadeia produtiva foram observadas as normas de sustentabilidade.

Temos que atentar, por exemplo, ao manejo, ao tipo de trabalho empregado, ao impacto que produziu no meio ambiente, para se certificar que o produto empregado no projeto é, de fato, sustentável.

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