Rio2016 caça executivos para atuar na Olimpíada

Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & CARREIRA - 01/03/2010 - 01:07:20

Por Paola de Moura, do Rio
Aline Massuca/Valor Gryner, diretor de marketing da Rio2016, diz que empresa contratará cinco mil pessoas nos próximos seis anos

Prestes a se tornar uma empresa constituída e independente do Comitê Olímpico Brasileiro, a Rio2016 está em busca de executivos. A instituição será responsável pela organização dos Jogos Olímpicos do Rio, que contratará todos os funcionários que trabalharão na Olimpíada: de faxineiros a árbitros, de engenheiros que fiscalizarão as obras a pessoal de organização e marketing. O objetivo da organização é contratar apenas brasileiros.

Hoje, na Rio2016 trabalham 41 pessoas. Mas, depois que o estatuto estiver pronto e aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), serão necessários pelo menos 80 funcionários para iniciar um trabalho de seis anos. No fim do período, serão mais de cinco mil empregados fora os voluntários que trabalharão durante a Olimpíada em 2016. A organização é responsável por conduzir todo o processo que envolve a realização dos jogos, desde a recepção dos atletas no aeroporto, às instalações de competição e as que não são de competição, como as áreas de treinamento, o centro de mídia e a Vila Olímpica.

Para ajudar na seleção do time que dará o início a todo processo, foi contratada a empresa de seleção de executivos Odgers Berndtson. A consultoria já trabalha com a equipe olímpica de Londres, na Inglaterra, e também dos Jogos de Inverno de Vancouver, no Canadá. O organograma está sendo montado, mas, segundo o diretor de marketing da Rio2016, Leonardo Gryner, ele deve mudar até a realização dos jogos, de acordo com a necessidade. "O organograma de Londres já passou pelo menos por 12 versões", conta Gryner. "É um modelo complicado que tem que ser atualizado conforme a necessidade", explica.

Neste primeiro momento, no entanto, a equipe será montada com executivos de quatro áreas: a diretoria de assuntos corporativos, cujo cargo já está ocupado por Carlos Luis Martins; a diretoria de marketing e comunicação, de Gryner; a diretoria de estrutura, ocupada por Alexandre Techima; e a diretoria de operações, que ainda está vaga. Abaixo delas, serão contratados primeiramente executivos de planejamento de projeto, de recursos humanos, de finanças, de design, de marketing, de tecnologia da informação, de engenharia e de arquitetura.

A equipe terá também que coordenar os projetos de infraestrutura para que sejam cumpridas todas as exigências em modelos feitos pelo COI, descritos num manual de mais de 200 páginas, sem contar os anexos, o Generic Master Schedule. Gryner o apresenta como sua bíblia. Ele contém até o prazo de contratação de cada tipo de funcionário. O manual sugere, por exemplo, que o chefe de acomodação seja contratado com 72 meses (seis anos) de antecedência da realização dos jogos. Uma vez que o número de quartos disponíveis no Rio terá que ser dobrado, Gryner acredita que esse cargo será um dos primeiros a serem preenchidos. Além dos funcionários previstos para trabalhar na equipe, o manual também contém os prazos para a entrega de cada instalação.

Segundo Leonardo Gryner, os salários não serão a maior atração do cargo. "Acreditamos que trabalhar no projeto olímpico será importante para o currículo de nossos funcionários e isso aumentará o interesse dos candidatos pelas vagas", explica o diretor. Por esta razão, a proposta é manter a remuneração média do mercado em cada área. "Temos um orçamento enxuto. Não podemos exagerar". Mas Gryner explica que haverá exceções. "Se um profissional diferenciado for desejado pela Rio2016, podemos fazer uma oferta melhor. Mas isto não será regra."

Winston Pegler, diretor da Odgers no Brasil, também acredita que o fato de trabalhar na Olimpíada é uma oportunidade única, o que ajudará a atrair os profissionais. A empresa fará um levantamento no mercado e convidará os executivos para conversar. "Vamos ver se o perfil será adequado às necessidades da organização e se há interesse do candidato. Só depois, o apresentaremos. Será um trabalho muito cuidadoso", avisa Pegler.

O diretor da Odgers explica que a intenção é só contratar profissionais brasileiros. "Nenhuma olimpíada é igual à outra. Cada país tem suas características culturais e políticas". A empresa trará apenas o diretor geral da área de esportes, Simon Cummins, que hoje trabalha para Londres, para monitorar o processo de seleção.

Os novos funcionários terão treinamento específico para os jogos. Segundo ele, serão contratados até advogados, pois será preciso adaptar as regras do COI à legislação local. O comitê montará seminários para mostrar o que deu certo e o que deu errado em experiências anteriores para cada grupo. "Quando tivermos a equipe de acomodações montada, por exemplo, serão trazidos ao Brasil técnicos de Pequim, Sidney ou Atenas, para mostrar pontos positivos e negativos de cada projeto e discutir nossas propostas".

Além disso, o comitê internacional também oferece um banco de dados completo com todos os arquivos das últimas olimpíadas, o Olympic Knowledge Management. Lá também estão as empresas que já prestaram serviços aos realizadores e como os processos foram realizados. O diretor da Rio2016 conta também que os contatos com o comitê são constantes e ajudam na realização dos projetos.

Mesmo depois das olimpíadas ainda será necessário contratar funcionários. "A organização não termina no dia em que acaba a Olimpíada, ela dura pelo menos mais dois anos", diz Pegler. De acordo com o headhunter, existe a questão ambiental, as e as contingências trabalhistas. Além disso, o pessoal especializado em esportes continuará a trabalhar em novos eventos e no desenvolvimento dos esportes no país.

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