Jacareí briga para ter estação do trem veloz

DCI - São Paulo/SP - SÃO PAULO - 08/03/2010 - 00:00:00

camila abudpriscila yazbek

SÃO PAULO - Várias cidades do Vale do Paraíba, região administrativa do Estado de São Paulo, deverão brigar para sediar uma das estações do trem de alta velocidade (TAV) que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo, com parada em Campinas, em um percurso de 511 quilômetros. Os Municípios de São José dos Campos e de Jacareí são foco de interesse de parada do trem, avaliado em R$ 34 bilhões e uma das maiores obras previstas pelo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) do governo federal, que deve ter o seu edital definitivo publicado no fim deste mês.

Em entrevista exclusiva ao DCI, o prefeito de Jacareí, Hamilton Ribeiro Mota (PT), reproduziu os principais argumentos apresentados nas audiências públicas do projeto para que sua cidade seja escolhida para sediar uma das paradas do TAV. Sua principal defesa é o fato de, diferentemente de São José dos Campos, por exemplo, a outra cidade estar saturada e sediar importantes empresas da economia paulista, sendo, portanto a vinda da estação a Jacareí um importante instrumento de distribuição dos investimentos na região. O prefeito evidenciou ainda aspectos da economia do município. Leia os principais trechos da entrevista.

Quais o senhor diria que são as vantagens da construção do TAV em Jacareí?

Entendemos que Jacareí oferece algumas vantagens, por não termos saturação urbana nem complicações ambientais e pelo fato de nossa área ser certamente mais barata que São José dos Campos. Além disso, temos um complexo viário a ser construído, em consonância com a chegada da nova estação. Como São José Campos serviu de base a diversos investimentos de grandes empresas, agora acredito que seja a hora de os envolvidos no projeto se voltarem a uma região que ainda tenha muito a crescer e muitos investimentos a atrair, principalmente com uma obra volumosa, como a do transporte por trem de alta velocidade. São José dos Campos tem uma área totalmente urbanizada e um dos metros quadrados mais caros do complexo do Vale do Paraíba. Se outra cidade for escolhida eu vou entender, mas já estamos preparando material bom para apresentar aos consórcios.



Como foi identificada a possibilidade de a cidade de Jacareí estar envolvida nesse projeto?

Percebemos que a modelagem constituída pelo governo contava com algumas possibilidades. Havia no projeto duas estações de parada: uma no Vale do Paraíba paulista e uma no Vale do Paraíba fluminense. Apesar de São José dos Campos ter chamado a atenção de algumas autoridades, por seu porte, não foi definido qual cidade deveria receber a estação na área paulista, pois há ainda necessidade de realização de um estudo detalhado de demanda, custos de instalação e restrições ambientais, entre outros aspectos.



Como fica a questão da parada no Rio de Janeiro?

No caso da estação do Vale do Paraíba fluminense, essa questão ficaria a cargo do consórcio vencedor, ou seja, ficaria a cargo de ver qual empresa teria interesse e seria melhor para isso, para a obra naquela região.

Qual foi a importância das audiências públicas sobre o TAV realizadas em Brasília?

Faltava muito uma compreensão melhor do que um projeto dessa envergadura significa e de como é composto esse processo licitatório. Por isso tenho certeza de que as audiências foram fundamentais para se discutir mais a fundo o projeto.

Como o senhor descreveria o momento que a cidade vive agora?

Como o senhor descreveria o momento que a cidade vive agora?

Estamos em um novo momento da cidade. Infelizmente vivíamos muito escondidos por São José dos Campos, que vive momento de saturação da ocupação urbana, e isso tem sido uma grande vantagem para Jacareí, pois temos custos baixos e a vantagem de estarmos mais próximos da capital, a apenas 70 quilômetros.

A cidade tem atraído novos investimentos?

A cidade tem atraído novos investimentos?

Uma empresa de tubos espanhola, a Tecnotubo, deve vir para o município este ano: o processo de aprovação de sua instalação já está em andamento; uma forte indústria de vidro, o grupo Saint-Gobain, tem perspectivas de novos investimentos na cidade nos próximos três anos, e uma série de médias empresas estão fazendo prospecções de área. Estamos vivendo um momento muito bom de vinda de empresas e o setor de construção civil vive um boom, com novos condomínios e também novos loteamentos em função do programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal.

Qual é principal setor de atividade da economia de Jacareí?

Qual é principal setor de atividade da economia de Jacareí?

O forte de Jacareí ainda é a indústria, que gera 45% da receita em ICMS. Podemos afirmar que a força econômica ainda está em uma base industrial. Temos forte produção de papel e celulose, vidro e bebidas, e temos representação na área de aviação, que surgiu com a vinda de uma empresa francesa que produz uma parte da carenagem de aviões.



Qual é a previsão de orçamento da prefeitura para 2010?

Este ano, a previsão é de um orçamento da ordem de R$ 500 milhões, cerca de 7% acima do que foi previsto inicialmente para o ano passado.

Serão realizadas novas obras este ano?

Uma grande e importante obra é a continuidade da avenida principal da cidade, à qual destinaremos R$ 7 milhões. Temos também uma obra de saneamento em parceria com o governo federal, que tem como meta tratar 70% do esgoto da cidade até 2011. O investimento é de R$ 90 milhões. O prazo de conclusão é março do ano que vem.

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