Miriam Leitão
EUA ainda fraco
O Globo - RJ - ECONOMIA - 17/03/2010 - 09:43:05
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EUA ainda fraco
A economia americana ainda respira com a ajuda de aparelhos. Ontem, o Fed manteve os juros zerados e disse que eles ficarão assim por um longo tempo. A indústria está 10% menor que em 2008; o desemprego continua próximo de dois dígitos; o varejo está 5% mais fraco que antes da crise. O mercado imobiliário permanece paralisado; a confiança do consumidor é mais baixa que após o 11 de Setembro. Os gráficos mostram as duas pontas da crise. O primeiro é do mercado imobiliário, onde o problema começou. Os números indicam que a atividade permanece num ritmo muito fraco, na comparação com o período anterior à recessão. As novas construções estão em torno de 600 mil unidades, menos de um terço do que se via em 2005, e quase a metade do patamar de 2008. O segundo gráfico é da taxa de desemprego, que é a última e mais visível ponta da crise. O crescimento, como podem ver, foi assustador para os níveis históricos, e a taxa permanece próxima de dois dígitos. A avaliação do economista Fábio Silveira, da RC Consultores, é de que a economia americana ainda não dá sinais de crescimento sustentável, mesmo após a alta de 1,4% do PIB no 4otrimestre do ano passado: — A indústria produz no mesmo ritmo de 2002; o comércio vende no patamar de 2006; o crédito ao consumidor se retrai pelo 11omês consecutivo; a confiança do consumidor é mais baixa que após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001; as importações recuaram 25% em 2009 e devem crescer pouco em 2010. Tudo isso sinaliza que o nível de atividade está baixo, mesmo após os estímulos econômicos promovidos pelo governo — explicou. De acordo com Fábio, a retração do crédito assusta pelo círculo vicioso: — Os bancos não emprestam porque têm medo do calote. As empresas não pegam emprestado porque a confiança do consumidor está baixa. Os consumidores não tomam crédito porque o desemprego está alto e eles não querem fazer dívidas. De acordo com a economista Monica de Bolle, da Galanto, após o colapso no sistema financeiro provocado pela quebra do Lehman Brothers, a recuperação americana não podia mesmo acontecer em um ritmo mais rápido. Ela acredita que o principal receio para 2010 foi afastado, o de uma nova recessão, mas que o risco foi adiado para 2011, quando o governo terá que começar a remover as políticas de estímulo, para diminuir o déficit público, que este ano passará de 10% do PIB. — Ninguém sabe ainda o que acontecerá quando os estímulos econômicos forem retirados. E isso terá que começar a ser feito a partir do próximo ano porque o déficit americano precisa cair da casa dos 10% para algo em torno de 3% até 2015 — explicou Mônica. Ontem, o Fed decidiu manter os juros zerados e disse que eles permanecerão nesse patamar por um longo tempo. Também comunicou o fim do programa de compra de ativos hipotecários, mas isso não foi visto pelo mercado como sinalização de aquecimento da atividade. De acordo com Monica, esse foi um programa emergencial, para combater a crise sistêmica, e o seu fim já estava programado. — A grosso modo, essa medida se compara com a decisão do nosso Banco Central de aumentar os compulsórios. É a retirada de um programa emergencial, que está mais relacionado ao colapso do sistema financeiro que ao nível de atividade da economia — disse. O mundo está hoje melhor do que estava há um ano, ninguém tem dúvida, mas permanece longe de voltar normal. A economia americana é só um exemplo. |
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