Eliane Cantanhêde
Limpando a barra (e as taxas)
Folha de S. Paulo - SP - OPINIÃO - 11/03/2010 - 08:12:44
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ESTOCOLMO - Ok, o Brasil está na moda, mas isso tem custo: implica ficar sob holofotes. Os defeitos já conhecidos ficam mais evidentes, e os novos saltam aos olhos.
O principal deles, sob o olhar dos governos e companhias internacionais, é o "custo Brasil", agora exposto à execração pública por um relatório do Banco Mundial intitulado "Paying Taxes 2010" -uma foto global sobre o pagamento de taxas mundo afora neste ano. Está rolando de mão em mão entre as 30 empresas suecas que mandarão representantes a Brasília e a São Paulo no dia 23 e estará na mesa de discussões de associações empresariais europeias com o governo Lula e suas correspondentes brasileiras, em abril, no Brasil. O Banco Mundial pesquisou 183 países, e o Brasil ficou em último lugar -último lugar! É o que mais cobra taxas trabalhistas e em geral. Ou seja, é o que mais onera as empresas que produzem e investem. O estudo usou uma complexa metodologia para concluir que as empresas pagam o correspondente a 2.600 horas por ano em taxas variadas no Brasil. O segundo pior país do ranking é o pequeno e pobre Camarões -1.400 horas/ano. E isso não inclui, pelo menos explicitamente, a percentagem extra para acomodar contabilidades públicas heterodoxas. Ou, para não levar um puxão de orelha da Madame Natasha, do Elio Gaspari: sem contar a "cota corrupção". Para os suecos, um dos fatores que atravancam o progresso e a entrada ou ampliação de investimentos estrangeiros é o excesso de burocracia e a longa cadeia (no bom sentido) de agentes públicos envolvidos no processo: do ministério tal e qual, da secretaria essa e aquela, do governo estadual, da prefeitura... O Brasil precisa, enfim, adaptar sua legislação, suas regras e seus procedimentos ao mundo global do qual faz parte. Não é para melhorar a vida dos gringos, mas, sim, sofisticar os investimentos e a imagem internacional do próprio Brasil. elianec@uol.com.br |
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